Aves do Parque Escola

As aves são animais que possuem penas, ossos ocos, bico sem dentes, também controlam a temperatura do seu corpo e produzem ovos com casca dura. O Brasil é o terceiro país do mundo com a maior quantidade de aves, apresentando cerca de 1920 espécies. Dessas espécies de aves brasileiras, a maioria é residente, ou seja, permanecem durante todo o ano no Brasil, e algumas são classificadas como migratórias.

As aves são fundamentais para o meio ambiente, pois são responsáveis pela polinização de flores, dispersão de sementes e controle de pragas. Aves e borboletas são considerados importantes bioindicadores pois respondem à urbanização de modo semelhante e, consequentemente, estão sendo amplamente utilizados no desenvolvimento de planos de conservação.

O estudo das aves nas cidades brasileiras dá origem à diversas pesquisas e trabalhos científicos, sendo eles, em sua maioria, listas de espécies de parques, campi universitários, remanescentes de vegetação nativa e outras áreas verdes. Existem poucas evidências para determinar a forma que o processo de urbanização afeta uma avifauna regional, e consequentemente, como ocorre a utilização desse novo ambiente pelas aves. Os parques municipais e áreas verdes são alguns dos locais onde estes animais encontram abrigo, alimento e local para reprodução.

Algumas espécies de aves comuns que podem ser encontradas na EMEA e no Parque Escola:

GAVIÃO MIÚDO
Nome Científico: Accipiter striatus
Características: Parte de cima da cabeça até as bochechas de coloração acizentado escuro, enquanto a parte baixa da face é castanha. Costas cinza-escuro com manchas brancas. Asas escura com as bordas esbranquiçada com listras pretas. A garganta, peito e parte de cima da barriga são brancos barrado de castanho, enquanto a parte inferior da barriga é completamente branca. A fêmea difere do macho por apresentar as penas do alto da cabeça mais escuras.
Tamanho: O macho mede cerca de 24 centímetros e a fêmea aproximadamente 35 centímetros.
Peso: O macho pode medir de 85 a 125 gramas e a fêmea de 145 a 215 gramas.
Dieta: Aves.
Curiosidades: Espécie pouco exigente, ocorre em diversos tipos de ambientes, como florestas, matas de galeria, cerrados, caatingas, parques em cidades e em zonas rurais arborizadas. Usualmente encontrado solitário ou aos pares, pairando no céu pela manhã. Localmente migratório, foi registrado recentemente no Ceará.
CORUJA ORELHUDA
Nome Científico: Asio clamator
Características: Suas costas apresentam coloração bege e marrom. Na parte de trás da cabeça apresenta listras e manchas na cor marrom. No alto da cabeça, acima dos olhos, apresentam penas castanho escuras e pretas com aparência que lembra orelhas. Sua face é esbranquiçada com borda preta enquanto garganta, peito e barriga são brancos, os dois últimos podendo ser bege e apresentar listras largas pretas. As penas abaixo da cauda são brancas com finas listras escuras. O juvenil assemelha-se aos adultos, sendo sua coloração ligeiramente mais acinzentada e seu disco facial é mais acanelado.
Tamanho: O macho apresenta entre 34 e 42 centímetros e a fêmea entre 34 e 40 centímetros.
Peso: O macho pode pesar entre 335 e 553 gramas e as fêmeas entre 390 a 563gramas.
Dieta: Aves, roedores, morcegos, insetos grandes, anfíbios, répteis.
Curiosidades: Comum em áreas semiabertas, incluindo cerrados, caatingas, bordas de florestas até adentrando as cidades. Em Campinas (São Paulo) esta coruja vocaliza durante a noite em áreas urbanas empoleirada em antenas de televisão. A espécie expande sua distribuição com os desmatamentos.
PERIQUITO VERDE
Nome Científico: Brotogeris tirica
Características: Predominantemente de cor verde, podendo apresentar algumas partes do corpos amareladas e azuladas. A base das asas e do bico são marrom. Sua cauda é longa com penas verde-azuladas. Os jovens são semelhantes aos adultos, mas com quase todas as penas verdes, cauda curta e bico mais escuro. Tamanho: Aproximadamente 20 centímetros.
Peso: Cerca de 60 gramas.
Dieta: Frutos como os das palmeiras e paineiras, além de sementes, flores e possivelmente insetos e suas larvas.
Curiosidades: Vive em bandos barulhentos, em cidades, matas de araucárias, mata atlântica e em matas ciliares até 800 metros, alcançando, mais raramente, 1200 metros no estado do Rio de Janeiro, no Parque Nacional do Itatiaia. Em São Paulo, esporadicamente, aparece uma mutação azul em populações selvagens.
PICA-PAU DE CABEÇA AMARELA
Nome Científico: Celeus flavescens
Características: Cabeça e face amarelas com topete, suas costas são pretas, listradas de branco e a barriga preta. O macho apresenta mancha vermelha na face.
Tamanho: Pode variar de 27 a 30 centímetros.
Peso: entre 110 e 165 gramas.
Dieta: Insetos como formigas e cupins, frutos e suas bagas, além de néctar de algumas flores.
Curiosidades: Considerada uma das mais belas espécies de pica pau do Brasil oriental, vive na Mata Atlântica, em matas mesófilas, matas secas, mata de araucária, matas de galeria, caatingas, cerrados, eucaliptais, parques e zonas rurais arborizadas. Usualmente encontrado em casais ou em grupos familiares de 3 a 4 indivíduos.
JOÃO DE BARRO
Nome Científico: Furnarius rufus
Características: Suas costas apresentam cor marrom avermelhadas e sua barriga é de cor clara. Seu queixo e pescoço são brancos e a causa avermelhada. Quando não está empoleirada desce ao solo, onde passa boa parte de seu tempo caminhando, alternando pequenas corridas com intervalos nos quais anda mais devagar.
Tamanho: Atinge cerca de 20 centímetros.
Peso: Aproximadamente 50 gramas.
Dieta: Insetos, minhocas e alguns moluscos, também aproveita restos de alimentos e, eventualmente, frutos e quirela.
Curiosidades: É uma das aves de mais fácil observação nos locais onde ocorre, pois além de não se afastar muito de seu território não é arisca e permite que o observador chegue a poucos metros de distância. É popular na zona rural, onde constrói seu ninho de barro em forma de forno, misturando palha e esterco seco com barro úmido. Instala seu ninho sobre árvores isoladas em pastos, áreas abertas nas cidades ou até mesmo sobre postes de eletrificação nas ruas. Terminada a construção, o casal forra a câmara interna com palha e capim, onde choca os seus ovos.
BEM TE VI
Nome Científico: Pitangus sulphuratus
Características: Ave de médio porte, apresenta costas pardas e a barriga amarela. Possui uma listra branca acima dos olhos e cauda preta. O bico é preto, achatado, longo, resistente e um pouco encurvado. O seu canto é característico e lembra as sílabas bem-te-vi, que dão o nome à espécie. Existem 4 espécies de aves que são mesma família e apresentam o mesmo padrão de cores.
Tamanho: Atinge entre 20 e 25 centímetros.
Peso: Cerca de 70 gramas.
Dieta: insetos, frutos, ovos e até mesmo filhotes de outras aves, flores, minhocas, pequenas cobras, lagartos, crustáceos, peixes, girinos, alguns roedores, carrapatos e restos de alimentos deixados por pessoas.
Curiosidades: É um dos pássaros mais comuns em quase todo o Brasil, ocorrendo preferencialmente em bordas e clareiras de florestas de todos os tipos. É também encontrado em capoeiras, plantações, eucaliptais, cerrados, caatingas, pastos sujos, mangues, parques e ruas arborizadas.
SANHAÇU CINZENTO
Nome Científico: Thraupis sayaca
Características: O adulto apresenta coloração geral cinzenta, com as asas e cauda de coloração azul. O jovem é parecido ao adulto, porém é mais esverdeado, mais pálido e mais opaco. É sem dúvida o sanhaçu mais comum em nosso país. Tem um canto longo, com notas altas e baixas. O canto da espécie varia para cada local, com exemplo de sanhaçu-cinzento cantar diferente até num mesmo bairro.
Tamanho: Entre 16 e 19 centímetros.
Peso: Pode atingir de 28 a 43 gramas.
Dieta: Frutos, folhas, brotos, flores e insetos como cupins.
Curiosidades: É um dos pássaros mais conhecidos do Brasil Oriental, comum em cidades, parques e jardins. Fora do período reprodutivo, torna-se nômade, dispersando-se em grupos e acompanhando a frutificação sazonal de certas fruteiras.
SANHAÇU DO COQUEIRO
Nome Científico: Thraupis palmarum
Características: Os três sanhaçus, sanhaçu-cinzento, sanhaçu-da-amazônia e o sanhaçu-do-coqueiro possuem tamanho e comportamento semelhantes. Suas cores, entretanto, os diferenciam bem. Como costumam pousar nas partes mais altas da vegetação, muitas vezes são vistos contra o céu, em situações de iluminação onde os contrastes desaparecem. Nessas situações, quando o sanhaçu-do-coqueiro voa mostra uma faixa clara no meio das penas longas da asa, característica marcante dessa espécie. A cor esverdeada dominante é suficiente para determiná-lo, quando as condições de luz o permitem.
Tamanho: Aproximadamente 20 centímetros.
Peso: Atinge entre 27 e 48 gramas.
Dieta: Insetos, néctar e frutos.
Curiosidades: O sanhaçu apresenta uma vasta distribuição em território brasileiro, ocorre em alguns locais do Sudeste e adentra as cidades do interior paulista graças devido à introdução de palmeiras nativas e exóticas na arborização de suas ruas, nas quais constrói seu ninho.
CAMBACICA
Nome Científico: Coereba flaveola
Características: Apresenta costas marrom; o peito e barriga amarelos; o pescoço cinza e a cabeça listrada em cores preto e branco. Não apresenta diferenças na plumagem em relação aos machos e fêmeas.
Tamanho: Aproximadamente 11 centímetros.
Peso: Entre 8 a 10 gramas.
Dieta: Néctar, frutos e artrópodes.
Curiosidades: Popular em áreas urbanas embora ocorra também na zona rural ou em capoeiras e borda de matas. Evita, porém, o interior de florestas densas. Oportunistas dependuram-se nos bebedouros de água açucarada, colocados nas varandas das casas para atração de beija flores.
CORRUÍRA
Nome Científico: Troglodytes musculus
Características: É uma grande cantadora e seu canto trinado, alegre e melodioso, é ouvido principalmente no começo da manhã. Bem pequena, pode ser escondida na palma da mão.
Tamanho: Entre 10 e 13 centímetros.
Peso: Entre 10 e 12 gramas.
Dieta: Insetos, aranhas e pequenos vertebrados.
Curiosidades: Curiosamente colonizou ilhas oceânicas próximas da costa, como a Ilha da Queimada Grande, além de outras ilhas na costa dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, tornando-se rapidamente os pássaros mais abundantes nestas ilhas.
SABIÁ LARANJEIRA
Nome Científico: Turdus rufiventris.
Características: É pardo, com ventre cor vermelho-ferrugem, levemente alaranjado. Canta principalmente ao amanhecer e à tarde. O canto serve para demarcar território e, no caso dos machos, para atrair a fêmea. A fêmea também canta, mas menos que o macho.
Tamanho: Chega entre 20 a 25 centímetros.
Peso: O macho pode pesar cerca de 70 gramas e a fêmea cerca de 80 gramas.
Dieta: Insetos, larvas, minhocas, frutas e restos de alimento.
Curiosidades: Vive em áreas semiabertas e bordas de matas, pomares em cidades e capoeiras. Toma demorados banhos de chuva. Localmente é o sabiá mais comum e abundante.
SABIÁ BARRANCO
Nome Científico: Turdus leucomelas
Características: Cabeça arredondada e acinzentada. Apresenta costas acinzentadas e asas amarronzadas, seu peito é cinza com a garganta branca e listras cinza escuro. O jovem tem costas manchadas de marrom, sem a garganta branca bem delimitada. Pontos marrons no peito e barriga. Não apresenta diferença entre macho e fêmea visível, apenas pelo canto, que é característica dos machos.
Tamanho: Entre 20 e 23 centímetros.
Peso: Aproximadamente 69 gramas.
Dieta: Insetos, larvas, minhocas, frutas, néctar e pequenos vertebrados.
Curiosidades: Ocorre em áreas semiabertas e antrópicas. Costuma instalar seu ninho em construções, barrancos ou em cercas vivas, a uma altura entre 1 e 3 metros do solo. A fêmea trabalha sozinha na construção do ninho, porém durante este estágio de construção, o macho permanece nas proximidades em vigília.
SABIÁ POCA
Nome Científico: Turdus amaurochalinus.
Características: Possui uma máscara escura, parecendo ser negra, entre o olho e o bico. Sua cabeça é achatada e o papo de coloração branca com riscos. Logo que saem dos ninhos, os jovens possuem o peito e barriga todo pontilhado com manchas marrons e suas costas e asas manchadas de marrom claro.
Tamanho: Cerca de 21 centímetros.
Peso: Aproximadamente 68 gramas.
Dieta: Frutos e invertebrados.
Curiosidades: Similar ao sabiá barranco (Turdus leucomelas), ambos ocorrendo nos mesmos locais e ambientes. Em virtude de oferta ou escassez de alimento disponível, parte da população migra do Sul e Sudeste até o Nordeste e Centro Oeste.
PITIGUARI
Nome Científico: Cyclarhis gujanensis.
Características: Sua cabeça e nuca são acinzentadas e apresenta uma faixa marrom-avermelhada sobre os olhos. Seu peito apresenta uma larga faixa amarela e a garganta é de coloração cinza quase branco. Suas costas são esverdeadas. Macho e fêmea são idênticos.
Tamanho: Cerca de 16 centímetros.
Peso: Aproximadamente 28 gramas.
Dieta: Invertebrados e frutos.
Curiosidades: Ocorre preferencialmente em bordas e clareiras de florestas de todos os tipos, em capoeiras, plantações, eucaliptais, cerrados, caatingas, pastos sujos, mangues, parques e ruas arborizadas. Pode usar seu bico forte para desfibrar ramos ainda verdes quando está a procura de larvas de insetos.
Texto por: Miguel Magro
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MAGALHÃES, Anelisa; VASCONSELLOS, Marcos. Aves da Cidade de São Paulo. São Paulo. 2010.

RIDGELY, Robert; GWYNNE, Jonh; TUDOR, Guy; ARGEL, Martha. Aves do Brasil: Mata Atlantica do Sudeste. 2015.

SICK, Helmut. Ornitologia Brasileira. Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 912p. 1997.
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